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	<title>Vitor Alli</title>
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		<title>Ui-Wando</title>
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		<pubDate>Sat, 11 Feb 2012 17:00:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vitor Alli</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Para uma melhor experiência, ouça Juro que eu queria ter feito esta homenagem em vida. No dia anterior à morte de Wanderley Alves dos Reis, vulgo Wando (a.k.a. Obsceno), eu estava confiante de que ainda o veria em outro show e pretendia dedicar um post à sua obra. Mas a vida é um sopro, é [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Para uma melhor experiência, ouça </p>
<p><center><img class="wp-image-210 aligncenter" title="Wando na Macarena das Calcinhas" src="http://www.vitoralli.com.br/blog/wp-content/uploads/2012/02/2009-288731588-2009072475613.jpg20090724.jpg" alt="Wando na Macareena das Calcinhas" width="280" height="210" /></center></p>
<p style="text-align: justify;">Juro que eu queria ter feito esta homenagem em vida. No dia anterior à morte de Wanderley Alves dos Reis, vulgo Wando (a.k.a. Obsceno), eu estava confiante de que ainda o veria em outro show e pretendia dedicar um post à sua obra. Mas a vida é um sopro, é luz, raio, estrela e luar. O céu devia estar necessitado de um agito e chamou nosso Wando para alegrar suas pevertidas senhorinhas. Imagino que, neste momento, minha avó deve de estar enlouquecida, jogando suas calçolas beges e gritando “Lindo” até a dentadura saltar&#8230;</p>
<p><center><img class=" wp-image-204 aligncenter" title="Beijo Wando" src="http://www.vitoralli.com.br/blog/wp-content/uploads/2012/02/074.gif" alt="Beijo Wando" width="184" height="200" /></center></p>
<p style="text-align: justify;">Algumas pessoas sabem da estranha admiração que nutro pela obra do Wando. Não é aquela paixão musical de me fazer ouvir suas músicas incessantemente. Longe disso. Mas acredito que suas letras dialoguem mais com o meu universo, com a minha forma de ver o mundo do que as de outros artistas. Não curto a onda pseudo-inocente Los Hermaníaca, por exemplo. Essa pseudo-felicidade na tristeza me dá urticária. Esse mundo introspectivo de amar sozinho não faz minha cabeça. É uma tristeza escamoteada numa alegria também escamoteada numa falsa inocência que é ao mesmo tempo uma falsa maturidade. Isso nunca comunicou comigo. Amar sozinho é chato. Sofrer por amor não é bonito. Mas amar é. E assim prefiro a objetividade subjetiva de Wando. Exemplo:</p>
<p>&nbsp;</p>
<table width="545" align="center">
<tbody>
<tr>
<td><strong>Trecho de “Adeus Você”,<br />
de Los Hermanos</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Adeus você<br />
Não venha mais me negacear<br />
Teu choro não me faz desistir<br />
Teu riso não me faz reclinar<br />
Acalma essa tormenta<br />
E se agüenta, que eu vou pro meu lugar</p>
<p>&nbsp;</td>
<td><strong>Trecho de “Anjo da Manhã”,<br />
do Wando</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Louco,varrido da vida<br />
Com vontade de ir<br />
E me guardar bem lá dentro<br />
Pra sentir teu sentir<br />
Sentir o gosto do gosto<br />
Desta boca tão nua<br />
Ouvir tua voz,quente e rouca<br />
Me dizendo &#8220;eu sou tua&#8221;</p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Agora me diz se não era este último verso o maior desejo do interlocutor dos versos da música de Los Hermanos? É mentira que o choro não o faz desistir, o riso não o faz reclinar. Pode até ser que realmente não o faça, mas por mais que ele tenha sofrido e queira ir embora, ele sabe que o maior desejo dele é sentir este gosto do gosto e, claro, que ela diga “eu sou tua”. Você já deve ter passado por isso. Separar-se de alguém que você ainda gosta demanda este tipo de escamoteamento; demanda essa defesa numa falsa altivez. E por mais que você negue, você sabe o seu real desejo.</p>
<p><center><img class="aligncenter size-medium wp-image-211" title="Wando hehehe" src="http://www.vitoralli.com.br/blog/wp-content/uploads/2012/02/estado-de-saude-do-cantor-wando-300x229.jpg" alt="Wando hehehe" width="300" height="229" /></center></p>
<p style="text-align: justify;">E o Wando opera neste mundo da realidade carnal. Do desejo primeiro, ou do desejo verdadeiro. É lógico que foi aquele sorriso, aquele jeito daquela menina que te conquistou, mas foi necessariamente aquela boca, aquelas pernas, aquela maneira de se apresentar ao mundo que fisgou o seu interesse. Wando é vivido. Wando traduz a experiência carnal em poesia e assume a breguice do amor. Assume o exagero e o estado de fora de órbita que o amor e a paixão sugerem e brinca com isso. Mas ele não opera no ambiente da negação. Esta é a grande diferença. Ele nunca nega amar, ele nunca adia o amor. Para Wando, toda hora é hora de recomeçar.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class=" wp-image-208 alignleft" title="I love you" src="http://www.vitoralli.com.br/blog/wp-content/uploads/2012/02/iluvu032.gif" alt="" width="207" height="238" />Fora isso, existe um quesito primordial para que eu tenha relevado a figura do Wando na minha formação: a ironia. Ironia esta presente em toda a construção da imagem do cantor. Quer algo mais irônico do que esta pessoa completamente fora dos padrões e daquilo que esperamos de um galanteador conseguir arrancar calcinhas mil de sua platéia feminina? E seus nomes de discos: Ui-Wando, Tenda dos Prazeres&#8230; Eu posso dizer, eu fui ao show do Wando em 2010, em Goiânia, no estacionamento do Shopping Flamboyant. É um show para todas as idades e, ainda assim, repleto de senhoras que, aparentemente recatadas, de família, se libertaram no evento do Obsceno. Talvez o show mais divertido que eu tenha presenciado.</p>
<p style="text-align: justify;">O amigo jornalista Péricles Carvalho, que nos acompanhou nessa deleitosa aventura, cético e preconceituoso quanto ao Wando, passou também a admirá-lo a partir de então. Ele não fazia ideia de que conhecia tantas letras e músicas. Pudera: Wando é encrustrado na cultura popular brasileira. Difícil não conhecer.</p>
<p style="text-align: left;">Ainda sobre a ironia, é sob este olhar que, acredito, compartilhamos o nosso filtro de realidade. É a questão do não se levar a sério, entender que o mundo pode ser mais, que as experiências vagam pela Terra e querem ser experimentadas. Wando declama o desejo e a maneira mais transparente de buscá-lo: não fazer rodeios. O que impulsiona a ironia de Wando é sua sinceridade original, que vai da carne ao coração.</p>
<p><center><img class="size-medium wp-image-214 aligncenter" title="Wando se secando" src="http://www.vitoralli.com.br/blog/wp-content/uploads/2012/02/wando-lembra-sucesso-e-seca-suor-do-rosto-com-calcinhas-que-sao-jogadas-para-as-fas-17610-1328010400585_615x300-300x146.jpg" alt="Wando se secando" width="300" height="146" /></center></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>“Queria ser um beija-flor repousar no seio desse teu amor e ficar / E da prisão desta ternura nunca mais sair”</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Mas hoje lamento não ter dito estas coisas para ele. Tive a oportunidade. Quis que ele abençoasse a obra que fiz e o homenageia, mas meu perfeccionismo não me permitiu. É para lamentar mesmo. “Eu Acho que Eu Estou Perdendo Você”, meu curta metragem, é para mim a tradução de tudo isso. A crença no amor, na ironia, na sinceridade original. É uma história romântica sobre a perda. A representação da perda nas músicas do Wando, tal qual em &#8220;Eu Acho que Eu Estou Perdendo Você&#8221;, é recheada de nuances irônicas. &#8220;Diz que não, ai! Diz que não, ai ai ai ai!! Me diz que eu não estou perdendo você&#8221; representado por um amor interrompido pela transformação da mulher em zumbi. Tem como ser mais ironicamente carnal se não canibal? Assista ao vídeo. Comente sobre essas relações.</p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="http://embed.videolog.tv/v/index.php?id_video=691833&amp;width=560&amp;height=315&amp;related=&amp;hd=&amp;color1=&amp;color2=&amp;color3=&amp;slideshow=&amp;config_url=&amp;" frameborder="0" scrolling="no" width="560" height="315"></iframe></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.perdendovoce.com.br" target="_blank">Eu Acho que Eu Estou Perdendo Você</a> por <a href="http://www.videolog.tv/vitoralli" target="_blank">vitoralli</a></p>
<p>Tão mais para comentar sobre Wando. Mas deixemos para mais tarde. Por agora, resta desejar que as anjas tenham o levado como ele merece&#8230;</p>
<p><center><img class="aligncenter size-full wp-image-205" title="Anjas de Wando" src="http://www.vitoralli.com.br/blog/wp-content/uploads/2012/02/1322738780.gif" alt="Anjas de Wando" width="308" height="419" /></center></p>
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		<title>M.I.A., a chata-interessante, e a Cultura Pop</title>
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		<pubDate>Sat, 04 Feb 2012 15:57:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vitor Alli</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Não pensei que um dia eu faria um post sobre música, mas o dia chegou – e cedo. Esta semana foi recheada para o mundo do entretenimento. Não sou ligado em música, mas o lançamento que mais me chamou a atenção foi o novo videoclipe da M.I.A., dirigido pelo Romain Gravas, o mesmo diretor francês [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não pensei que um dia eu faria um post sobre música, mas o dia chegou – e cedo. Esta semana foi recheada para o mundo do entretenimento. Não sou ligado em música, mas o lançamento que mais me chamou a atenção foi o novo videoclipe da M.I.A., dirigido pelo Romain Gravas, o mesmo diretor francês de um outro bom clipe dela, mais antigo. Calma, todas estas referências, e muitas outras, vão seguir abaixo.</p>
<p>Nunca acompanhei o trabalho de M.I.A. &#8211; não tenho mais o hábito de seguir um artista – mas hoje procurei saber mais sobre ela e&#8230; sabe quando você começa a perceber conexões que antes pareciam não existir? Pois então, M.I.A. é a mesma artista que no começo dos anos 2000 apareceu no Brasil e reclamou que os brasileiros a chamavam de /mia/ e não de /maia/. Mas ok, perdoada; ela veio conhecer o funk carioca junto do DJ Diplo e fizeram um bom trabalho chamado “Piracy Funds Terrorism” – um nome sugestivo, bastante irônico e incorporado de questões políticas relevantes.</p>
<p>M.I.A. é londrina, com ascendentes do Sri Lanka. Violência, conflitos étnicos e produção cultural digital são temas recorrentes no seu trabalho. Sem saber, eu mesmo utilizava uma das músicas do seu primeiro álbum de coletâneas e remixes na minha aula de Cultura do Remix: um mashup de “Papa Don’t Preach”, da Madonna, com o funk “Aviãozinho das Travessas”, de quem eu infelizmente não encontrei a autoria. O resultado é divertido e se chama Baile Funk One:</p>
<p><center><br />
<iframe src="http://www.youtube.com/embed/S8TCBCmRzPE" frameborder="0" width="560" height="315"></iframe></center>&nbsp;</p>
<p>Através destas brincadeiras em estúdio e durante a gravação do primeiro álbum é que ela alavancou sucesso com suas misturas de rap, ragga e funk. Meio chato, mas interessante:</p>
<p><center><br />
<iframe src="http://www.youtube.com/embed/VNJ96imMskk" frameborder="0" width="560" height="315"></iframe></center>&nbsp;</p>
<p>E foi assim que eu comecei a criar a imagem de M.I.A. na cabeça: meio chata, mas interessante. Lembro depois de ter visto um clipe de que gostei muito e nem sabia que era da música dela. Gostei audiovisualmente; era o Romain Gravas com “Born Free”, que, descobri hoje, foi um álbum bastante controverso por trazer as questões de conflitos étnicos de uma maneira bastante madura e pouco “pop”.</p>
<p><center><br />
<iframe src="http://www.youtube.com/embed/IeMvUlxXyz8" frameborder="0" width="560" height="315"></iframe></center>&nbsp;</p>
<p>O tempo passou, eu me interessei pela cultura brega / popular brasileira, pelo Wando (força no Hospital, rapaz), pela deliciosa mistura de identidades e referências e eis que M.I.A. surge com um clipe incrivelmente e digitalmente brega na essência, de raiz mesmo. E eu a admirei por isso. Achei que naquele clipe alcançaram um dos meus objetivos audiovisuais: trazer algo de relevante e bonito partindo do que é considerado mais baixo numa cultura. No caso, os gifs animados orkutizados. Vale conferir “XXXo”:</p>
<p><center><br />
<iframe src="http://www.youtube.com/embed/sfbQ5mHWkOs" frameborder="0" width="560" height="315"></iframe></center>&nbsp;</p>
<p>Por fim, algo me soou estranho ao ver M.I.A. e Madonna juntas em “Gimme All Your Luvin’”, da mais velha. É uma produção claramente pop, de entretenimento. Não vou desmerecer, mas em relação à relevância das pesquisas anteriores de M.I.A., um trabalho menor. Claro, Madonna não tem nada de menor. Mesmo esse novo clipe possui referências muito interessantes como o filme “One From the Heart”, o musical de Copolla, símbolo cultural do pastiche pós-moderno, e mais: uma aula de comunicação e marketing. Madonna tem 53 anos de idade, dá um show nas mais novas, faz uma música chiclete à la Michel Teló que tem tudo para dar certo, de novo, e ainda encaçapa uma apresentação no SuperBowl, trazendo as referências do futebol americano para sua música como uma feliz coincidência (Ah vá!).</p>
<p><center><br />
<iframe src="http://www.youtube.com/embed/cItHOl5LRWg" frameborder="0" width="560" height="315"></iframe></center>&nbsp;</p>
<p>A questão aqui é que M.I.A. nunca fez parte deste tipo núcleo e me pareceu um pouco fora de contexto. Pareceu, sim, mas só até saber que, no mesmo dia, ela lança mais um clipe com Romain Gravas, “Bad Girls”, rodado no Iraque e com referências a &#8220;Born Free&#8221;. Um ótimo vídeo em todos os sentidos. A música é meio chata, mas totalmente aturável, especialmente se assistirmos ao clipe. Segue:</p>
<p><center><br />
<iframe src="http://www.youtube.com/embed/2uYs0gJD-LE" frameborder="0" width="560" height="315"></iframe></center>&nbsp;</p>
<p>E é este o fim do post. Quero só fazer um adendo sobre imaginário coletivo e cultura pop. Muita gente critica o completo vazio que este tipo de produção sugere. Ok. Poucas pessoas param para pensar que toda e qualquer construção cultural vem de algo latente na sociedade, que a produção de sentido surge e só é possível com a subjetividade presente no dia-a-dia das pessoas. E proponho uma reflexão sobre a diferença entre “Bad Girls”, da M.I.A., que se apresenta de maneira mais agressiva e menos glamourosa, e “Girls”, da Beyoncé, já que este post ficou para as divas do Pop.</p>
<p>Proponho que analisem os elementos utilizados em ambos os clipes: ambientes “masculinos”, áridos, fogo, forças de repressão, exércitos, o mesmo tema. Como isto pode ser um reflexo  da cultura contemporânea? Para o exercício, o clipe em questão:</p>
<p><center><br />
<iframe src="http://www.youtube.com/embed/VBmMU_iwe6U" frameborder="0" width="560" height="315"></iframe></center></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Auto-Estima</title>
		<link>http://www.vitoralli.com.br/blog/blog/2012/02/03/auto-estima/</link>
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		<pubDate>Fri, 03 Feb 2012 14:50:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vitor Alli</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Pessoal, sei que estou devendo um post. Não me se apressem. Por enquanto, fiquem com a Auto-Estima da Dra. Glaucia: Obrigado. &#160;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pessoal, sei que estou devendo um post. Não <del datetime="2012-02-03T14:56:21+00:00">me</del> se apressem. Por enquanto, fiquem com a Auto-Estima da Dra. Glaucia:</p>
<p>Obrigado.</p>
<p>&nbsp;<br />
<center><br />
<iframe src="http://www.youtube.com/embed/kC_2mQ-2E1s" frameborder="0" width="480" height="360"></iframe> </center></p>
]]></content:encoded>
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		<title>SOPA, PIPA, Cultura, Sociedade e os Direitos Autorais</title>
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		<pubDate>Wed, 18 Jan 2012 16:11:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vitor Alli</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Desde que entrei na faculdade, em 2006, vi grupos de ativistas brasileiros lutando pela reforma dos direitos de autor e questionando os limites da propriedade intelectual. Demorou para que eu entrasse de vez no assunto. Eu ficava no meio do caminho, sem entender como seria uma nova configuração comercial. Para mim, os artistas só conseguiam se [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_182" class="wp-caption aligncenter" style="width: 502px"><img class=" wp-image-182  " title="CENSURA" src="http://www.vitoralli.com.br/blog/wp-content/uploads/2012/01/censura2.jpg" alt="CENSURA" width="492" height="182" /><p class="wp-caption-text">A Pior Parte da Censura é --------------.</p></div>
<p>Desde que entrei na faculdade, em 2006, vi grupos de ativistas brasileiros lutando pela reforma dos direitos de autor e questionando os limites da propriedade intelectual. Demorou para que eu entrasse de vez no assunto. Eu ficava no meio do caminho, sem entender como seria uma nova configuração comercial. Para mim, os artistas só conseguiam se sustentar a partir dos direitos autorais, uma vez que o valor do artista está na autoria, na criatividade. Demorou para que eu entendesse que isso não é verdade, ou que, pelo menos na prática, não funciona bem assim.</p>
<p>O que não demorou depois disso, foi entender que o que está em jogo não é a sobrevivência financeira do artista, mas a sobrevivência da própria arte, das novas relações de consumo, de uso, das reconfigurações culturais trazidas, dentre outras, pelas novas tecnologias. Pois bem: o Brasil avançou muito na discussão durante o Governo Lula. Tivemos dois bons ministros da cultura que deram a devida atenção ao tema e elevaram o país a uma grande referência na questão. A nova ministra já não nos deixa muita escolha além da insatisfação.</p>
<p>Nesta semana o problema tomou novas proporções. Os projetos de leis americanos, tão debatidos neste exato dia de hoje, na verdade já estão em pauta há um tempo e não têm recebido o olhar de quem realmente deveria se interessar pelo assunto. Blogueiros, meus queridos, vocês estão pendurados na corda bamba pela bengala &#8211; cuidado. Não quero explicar em longas linhas o que são SOPA e PIPA, mas deixo no final do post alguns vídeos que vão ajudar na compreensão. Para a continuidade deste texto, basta saber que são duas medidas repressoras das atividades de &#8220;pirataria&#8221; na Internet.</p>
<p>Pirataria Online, para os conservadores do mundo digital, é todo o download ilegal de produtos protegidos por uma autoria reconhecida. O problema é que a nossa cultura, a Cibercultura, dentro do contexto social da pós-modernidade, demanda e se baseia na utilização de obras antigas, nos mash-ups, remixes, releituras, recombinações, reconfigurações. Você deve conhecer os memes de Internet, as redublagens, as colagens, as &#8216;kibadas&#8217; no Twitter, nos blogs, o compartilhamento de imagens, vídeos, músicas e a construção colaborativa de softwares, vídeos, produtos culturais em geral. Você não acha que a Internet está hoje configurada, baseada, debruçada sobre esses conceitos?</p>
<p>SOPA, PIPA, AI-5 Digital, toda e qualquer lei autoritária, repressora e censuradora não trará soluções &#8211; apenas mais problemas. A repressão proposta vai contra a democracia dos novos meios de criação, de produção, difusão e distribuição da cultura. Criminalizar o download é burrice. Vamos lá: cinco anos de cadeia para o menor de idade, que tem mais 50GB de músicas no seu MP3. Vamos tirar deste jovem o poder de conhecimento &#8211; de conhecer uma gama incrível de diferentes tipos, estilos e origens musicais.</p>
<p>Isso me lembra quando um amigo alemão visitou o Brasil e se assustou com os seguranças armados num Banco. Ele me perguntou o por quê de haver pessoas armadas no local. Sem nenhum pensamento crítico enquanto tirava dinheiro do caixa eletrônico, eu ri da cara dele e respondi &#8220;Como assim, por quê?!&#8221;. Ele arregalou os olhos como se assustado de eu achar a situação normal. Com ar de superioridade ele disse: &#8220;Na Alemanha não se faz isto desta forma&#8221;. Poderia eu retrucar?</p>
<p>Falo isso com a plena noção de que a maioria na Europa não tem a menor vontade de debater o direito autoral. Este amigo mesmo me pede para baixar algumas músicas e passar por MSN e muitas vezes quando compartilhamos links de Youtube, lá os vídeos são bloqueados. O fato é que nem sempre a repressão é a solução e, no caso, estão os bancos alemães aí para provar. O que precisamos é de flexibilidade, de tempo para debater e não tomar decisões precipitadas. Já pararam para balancear os benefícios sociais com ou sem a repressão? E a gente sabe que durante repressão pouca coisa pode ser boa.</p>
<p>O que quero que entendam é que é óbvio que não podemos viver em completa anarquia. As leis estão aí para regular, colocar ordem na sociedade. O problema é que estamos em um momento delicado de transição. As novas mídias / tecnologias de comunicação, informação, alteraram significativamente nossa maneira de lidar com o mundo e, por isso, impor velhos modelos à nova realidade significa atacar as nossas liberdades, as novas possibilidades que se colocam à nossa frente, as novas configurações globais e principalmente esta nova realidade que se instaura mundialmente. Não se pode tomar uma decisão destas aleatoriamente.</p>
<p>Imagina se a SOPA é aprovada e começa a responsabilizar o Google (o Youtube, inclusive), o Facebook, o WordPress, o Tumblr, enfim, todos os grandes portais e redes sociais, pelo que nós, usuários postamos. Você acha que eles vão conseguir segurar o rojão? Pense sobre o assunto, pesquise, veja os vídeos abaixo, assuma uma postura, assine as petições &#8211; mesmo que sejam apenas para americanos, envie as mensagens, replique, remixe, faça um mash-up, recorte, cole, faça o que for preciso enquanto você ainda pode.</p>
<p><center><br />
<iframe src="http://www.youtube.com/embed/K3ORTCseHD8" frameborder="0" width="560" height="315"></iframe></center></p>
<div id="attachment_183" class="wp-caption aligncenter" style="width: 554px"><a href="Fonte: http://conecti.ca/2011/11/22/sopa-explicada-por-su-mas-grande-enemiga-mafalda/"><img class=" wp-image-183 " title="SOPA segundo Mafalda" src="http://www.vitoralli.com.br/blog/wp-content/uploads/2012/01/Mafalda-SOPA.jpg" alt="SOPA segundo Mafalda" width="544" height="4098" /></a><p class="wp-caption-text">Fonte: http://conecti.ca/2011/11/22/sopa-explicada-por-su-mas-grande-enemiga-mafalda/</p></div>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Cinderalla</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Jan 2012 21:25:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vitor Alli</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Já falei aqui sobre trash e já postei, inclusive,  um mash-up com a Valesca Popozuda. Pois bem: hoje vou tomar poucas linhas para comentar um livro, também trash, que passou pelas minhas mãos: Cinderalla. Minha amiga, atriz, Martina Blink, me emprestou o livro e foi até convidativa em sua descrição: &#8220;É um livro japonês meio [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft" title="Cinderalla" src="http://media.comicvine.com/uploads/3/33806/995795-junko_mizuno_1_super.jpg" alt="" width="261" height="378" />Já falei aqui sobre trash e já postei, inclusive,  <a title="A Valesca é o Poder" href="http://www.vitoralli.com.br/blog/blog/2012/01/07/a-valesca-e-o-poder/">um mash-up com a Valesca Popozuda</a>. Pois bem: hoje vou tomar poucas linhas para comentar um livro, também trash, que passou pelas minhas mãos: Cinderalla.</p>
<p>Minha amiga, atriz, <a title="Martina Blink" href="http://www.facebook.com/martinablink" target="_blank">Martina Blink</a>, me emprestou o livro e foi até convidativa em sua descrição: &#8220;É um livro japonês meio esquisito que tem que ler de trás para frente. É uma versão erótica-zumbi da Cinderella, em quadrinhos. É muito louco, você vai gostar.&#8221; E apesar de convidativa, eu demorei 6 meses para folhear a obra.</p>
<p>A surpresa foi positiva. Apesar de bastante feminino, este é um mangá sombrio-trash-erótico, de Junko Mizuno, em que uma Cinderella zumbi (até o sol raiar), ao invés de perder o sapato, perde um dos olhos. Assim, começa a busca pela amada do Príncipe, um cantor brega. Cinderalla é um bom presente para meninas pré-adolescentes &#8211; especialmente se elas tiverem algum interesse em cultura nipônica, que não é o meu caso.</p>
<p>O que mais gostei, para além das ilustrações, foi a falta de complexidade da história, que é muito difícil de se ver em mangás &#8211; especialmente de terror. Apesar de muito louca, a narrativa trabalha com clichês e vai passando direto por explicações substanciais, descrições ou alguma busca sentimental profunda. Não é incrível ou brilhante, mas é gostoso e em meia hora o livro está terminado, sem grande esforço e deixando a vontade de ler mais.</p>
<p>Soou como um mash-up de histórias, contos e culturas. Valeu a leitura e valeu, mais uma vez, ampliar as dimensões do inesperado que só o trash pode proporcionar. Não recomendo a compra do livro, mas recomendo sua leitura. Se você encontrar em feiras, sebos, ou se alguém te emprestar, vá fundo. Se houver como ler na própria livraria, rapidamente ele estará devidamente lido. Uma leitura despretensiosa e divertida. O trunfo de Cinderalla é utilizar o que seriam seus pontos negativos como grandes diferenciais &#8211; como falas reduntantes ou pouco críveis.</p>
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		<title>Em público de novo</title>
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		<pubDate>Thu, 12 Jan 2012 16:39:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vitor Alli</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Faz tempo não venho a público, pessoalmente, me colocar frente ao mundo, expor minhas ideias de maneira clara e direta enquanto Vitor Alli. Passei um tempo trabalhando muito e eu estou sempre por aí falando coisas publicamente. Mas agora é diferente: não quero mais falar como o empresário, o funcionário, nem como Cidney Astral, Quentinho [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-138" title="Como Fazer Um Curta" src="http://www.vitoralli.com.br/blog/wp-content/uploads/2012/01/post1.jpg" alt="Como Fazer Um Curta" width="154" height="332" />Faz tempo não venho a público, pessoalmente, me colocar frente ao mundo, expor minhas ideias de maneira clara e direta enquanto Vitor Alli. Passei um tempo trabalhando muito e eu estou sempre por aí falando coisas publicamente. Mas agora é diferente: não quero mais falar como o empresário, o funcionário, nem como Cidney Astral, Quentinho Tarantella ou qualquer outra representação que eu tenha exprimido desde que comecei minha (ainda jovem) carreira.</p>
<p>Até hoje colho os frutos da obra-prima (prima enquanto primeira) e acho incrível no que o &#8220;Como Fazer um Curta-Metragem Experimental, Cult e Pseudo-Intelectual&#8221; se tornou. Nunca fui a público comentar sobre os resultados da obra. Quem me acompanha já deve saber que o vídeo foi pensado para o festival da UFRJ e, ao colocar na Internet, ele cresceu de um jeito que eu não pude controlar &#8211; e nem quis fazê-lo. Foi ótimo. E era uma época em que poucos tinham acesso ao Youtube.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="http://www.vitoralli.com.br/blog/wp-content/uploads/2012/01/post2.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-139" title="Vitor" src="http://www.vitoralli.com.br/blog/wp-content/uploads/2012/01/post2.jpg" alt="Vitor" width="154" height="332" /></a>O vídeo rodou dez festivais brasileiros, ganhou cinco prêmios e alcançou ao todo cerca de 250 mil acessos (juntando os diferentes players). Lembrando que se comparado a um vídeo que sai hoje no Não Salvo, este número é apenas bom (o vídeo que fiz com o Cid, responsável pelo mesmo blog, tem mais de 2 milhões de acessos atualmente). O fato é que a obra conseguiu rodar entre públicos diferentes e resultar em algumas ações completamente impensáveis quando da realização do vídeo. Apesar disso, nunca agradeci publicamente, nem fiz comentários sobre a carreira que vem se consolidando desde então.</p>
<p>É por isso que, aos poucos, farei isto por aqui, pelo Blog do meu novo site. Tenho apenas quase quatro anos de experiências acumuladas para compartilhar. Só ano passado foram quase 40 vídeos produzidos &#8211; e ninguém sequer imagina isso. Pois bem: a quem interessar, disponho destas breves páginas virtuais. Começando neste momento com um grande <strong>Obrigado</strong>.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>O que eu fiz com algumas das angústias</title>
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		<pubDate>Sat, 07 Jan 2012 15:39:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vitor Alli</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Essas angústias todas vêm do meu desejo de não participar de um modelo de mercado falido, em que profissionais abrem mão de amores prórpios em nome de amores dos outros. Talvez seja mais uma visão pós-moderna minha. Acho agressivo comigo mesmo passar mais de 10h numa empresa, dedicar meu tempo, meu conhecimento, minha vida, por [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft  wp-image-141" title="Liberdade de Trabalho" src="http://www.vitoralli.com.br/blog/wp-content/uploads/2012/01/img1.jpg" alt="Liberdade de Trabalho" width="228" height="265" />Essas angústias todas vêm do meu desejo de não participar de um modelo de mercado falido, em que profissionais abrem mão de amores prórpios em nome de amores dos outros. Talvez seja mais uma visão pós-moderna minha. Acho agressivo comigo mesmo passar mais de 10h numa empresa, dedicar meu tempo, meu conhecimento, minha vida, por um preço injusto &#8211; que pouco tem a ver com dinheiro, mas com realização de desejos como colocar os próprios projetos em prática, viajar, ter o devido reconhecimento, ou conhecer o mundo, ainda que através de pessoas etc. Na comunicação está cada vez mais difícil amar o seu emprego.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>E, como você sabe, eu busco soluções. Tentei estar junto à academia, tentei estar junto ao Estado, participando mais efetivamente das práticas do Ministério da Cultura, e nada disso me proveu de esperanças em um mundo melhor, pelo contrário. A academia não pratica, o Estado parece viver fora da realidade, a realidade necessita dessas outras duas forças para que haja mudanças&#8230; Às vezes me sinto um cavaleiro solitário. Luto pela cultura &#8211; pela produção e difusão de bens culturais. Para mim, a cultura é um braço da educação, a grande ferramenta contra o sofrimento descabido (e apenas o descabido, uma vez que o sofrimento faz duo com a felicidade).</p>
<p><img class="alignright  wp-image-167" title="Triângulo" src="http://www.vitoralli.com.br/blog/wp-content/uploads/2012/01/triangulo.jpg" alt="Triângulo" width="199" height="181" />A questão é que parece que este cavaleiro tem que se desdobrar em 3 e lutar nas 3 frentes. Na academia, farei mestrado, doutorado, o que for. Mas já não acredito nas instituições que neguem o lado mercadológico da cultura. Não posso lutar discutindo apenas estética. Sinto que preciso entender os mecanismos de formação de um modelo de negócios. Entender o que exatamente as novas tecnologias demandam do mundo. O amor está aí sobrando, mas quem canaliza isso? Quem recebe este amor?</p>
<p>A publicidade e o entretenimento parecem fazer isso melhor do que o Estado e a Academia juntos, que só integraram o amor ao discurso de pouco tempo para cá. E isso é um grande paradoxo. Porque para o público (consumidores) e para anunciantes (marcas), a publicidade não faz isso direito. Então quem faz?</p>
<p>É por isso que abri minha própria empresa. Porque não acredito nas formas de luta da academia, nem do Estado, nem do mercado. E me desdobro nesse triângulo, porque é evidente para mim que um depende do outro o tempo inteiro. Tombando para o que tem me interessado pensar, volto à questão das 18 telas do post anterior. Quem pensa nesses conteúdos? Estariam as marcas e o público contentes com o que está sendo veiculado?</p>
<p><img class="wp-image-142 alignleft" title="Solitário" src="http://www.vitoralli.com.br/blog/wp-content/uploads/2012/01/img2.jpg" alt="Solitário" width="205" height="251" />A publicidade já encontrou o caminho do entretenimento, do branded content, da publicidade velada, da oferta de entretenimento em prol de um valor a agregar à marca anunciada, e apontam que este é o futuro. E cadê? Existem peças incríveis, mas o que estamos fazendo com isso? Será que minha luta em prol da cultura não passa pelo jogo da publicidade, de me tornar um empreendedor da comunicação? Como utilizar o discurso publicitário, o discurso acadêmico, o discurso do público/comum, para realmente produzir algo lucrativo, educativo, funcional, democrático, positivo? Como canalizar o amor para o lado mais justo?</p>
<p>E em que ponto a verdade e os fundamentos ajudam neste sentido? É a falta deles que faz com que não saibamos o que fazer neste momento, para onde ir, no que acreditar?</p>
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		<title>A Valesca é o Poder</title>
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		<pubDate>Sat, 07 Jan 2012 15:15:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vitor Alli</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Cultura do Remix]]></category>
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		<description><![CDATA[Todos sabem do meu fascínio pelo Trash. E não é à toa; não é moda. O Trash é um aspecto cultural que dialoga muito com a minha visão de mundo. Não gosto de levar a vida a sério, mas sou sério quando preciso. Quem me conhece sabe que é difícil me estressar e que, apesar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Todos sabem do meu fascínio pelo Trash. E não é à toa; não é moda. O Trash é um aspecto cultural que dialoga muito com a minha visão de mundo. Não gosto de levar a vida a sério, mas sou sério quando preciso. Quem me conhece sabe que é difícil me estressar e que, apesar de tudo, estou sempre com um sorriso pronto &#8211; sorriso, não gargalhada. Quem me conhece também sabe de que preciso gargalhar mais.</p>
<p>Mas o poder de surpreender as pessoas é o que mais me encanta no Trash. A quebra de expectativas, a mistura impensada, o acontecimento inusitado. Não o jorro de sangue por si só (tem trash sem sangue), mas a capcidade de estrapolar as barreiras do comum, das representações típicas e o melhor de tudo: sem medo de parecer ridículo. Aliás, acredito que o melhor seja: se fazendo ridículo.</p>
<p>Gosto de quem &#8220;faz o maluco&#8221;. Veste uma carapuça besta e brinca com a percepção dos outros. E por isso louvo o ato de retirar do lixo cultural algo de valioso &#8211; lixo este ditado por tendências pouco democráticas e discriminatórias. E por isso faço vídeos que, numa interpretação xiita são culturalmente vandalistas &#8211; embora eu prefira chamar de Wandalistas.</p>
<p>Com vocês, Valescão:<br />
<center><br />
<iframe src="http://www.youtube.com/embed/luTwV2PUVZ8" frameborder="0" width="420" height="315"></iframe></center></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Angústias de uma Crise da Comunicação</title>
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		<pubDate>Sat, 07 Jan 2012 14:46:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vitor Alli</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Como pós-moderno confesso, muitas dúvidas sobre as reconfigurações globais no ambiente pós-mídias digitais têm me angustiado muito. Não no sentido negativo. É uma angústia boa. Durante toda a graduação se falou muito da revolução das mídias digitais, da abertura democrática que elas trouxeram ao mundo, do fim da via de mão única entre a o interlocutor [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.vitoralli.com.br/blog/wp-content/uploads/2012/01/post3.jpg"><img class="alignleft  wp-image-157" title="Technologic" src="http://www.vitoralli.com.br/blog/wp-content/uploads/2012/01/post3.jpg" alt="Technologic" width="198" height="259" /></a>Como pós-moderno confesso, muitas dúvidas sobre as reconfigurações globais no ambiente pós-mídias digitais têm me angustiado muito. Não no sentido negativo. É uma angústia boa. Durante toda a graduação se falou muito da revolução das mídias digitais, da abertura democrática que elas trouxeram ao mundo, do fim da via de mão única entre a o interlocutor (enquanto mídia) e o receptor, da abertura ao diálogo, ao afeto, ao amor (sob o discurso do consumo, inclusive). Mas, reiterando minha ansiedade pós-moderna, cada vez mais me angustio com a falta de prática disso. Sob a mesma ótica, já não adianta mais discutirmos a revolução das mídias: ainda que esteja no processo, o mais revolucionário já aconteceu. O que fazer com isso?</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><img class="alignright  wp-image-156" title="PC Siqueira e Felipe Neto" src="http://www.vitoralli.com.br/blog/wp-content/uploads/2012/01/pcfn.jpg" alt="PC Siqueira e Felipe Neto" width="181" height="230" />A publicidade já abraçou o discurso do amor, mas não faz nada do que propõe. As campanhas cada vez mais demandam engajamento do público - o Itaú e O SONHO BRASILEIRO, Lady Gaga e os Little Monsters, as multidões dos flashmobs, as produções colaborativas - o amor sob a ótica do consumo, marcas que unem pessoas e desejos. Não só as marcas, mas os amadores que fazem sucesso na Internet. Cito Felipe Neto e PC Siqueira, que, por caminhos diferentes, lutam por um tipo de inclusão ou dão voz a adolescentes revoltados com as pequenas coisas da vida. O amador vira mídia e atrai as grandes empresas afoitas por consumidores contra um inimigo comum, ou seja, um nicho engajado.</p>
<p><img class="alignleft size-full wp-image-163" title="TV Aeroporto" src="http://www.vitoralli.com.br/blog/wp-content/uploads/2012/01/tv11.jpg" alt="TV Aeroporto" width="154" height="358" />As agências de publicidade se desdobraram em agências de mídia online, agências de conteúdo, agências de sabe-se lá mais o quê, e estão todas perdidas. <strong>Os profissionais da comunicação desaprenderam a comunicar</strong>. Hoje mesmo eu contei o número de telas que eu conseguia ver na sala de embarque do aeroporto de Congonhas: 18, sendo que uma delas era formada por 14. Em todas elas, anúncios e notícias. Na minha avaliação, são publicidades mal localizadas, mídias subutilizadas, excesso de informação e de desperdício, inclusive de eletrecidade.</p>
<p>Não sei dizer, mas parece que a pós-moderna busca pela eficácia está cada vez mais difícil. Será o contrário? Acredito que não. A publicidade não sabe para onde correr. As marcas reclamam publicamente da falta de preparo dos profissionais da comunicação em lidar com a velocidade das mudanças do consumidor atual. E olha que eu nem sou publicitário. A situação dos radialistas é ainda mais sufocante. Todos têm acesso aos meios de produção, mas quem sabe produzir?</p>
<p>A ascenção de amadores no campo do audiovisual depende do olhar &#8216;carinhoso&#8217; e &#8216;amoroso&#8217; da publicidade e aparece com o mote do &#8217;todo mundo pode fazer&#8217;. A questão é que hoje a possibilidade já não é novidade. Poder fazer seu vídeo em casa era novo para a minha geração. E agora? Virar para um jovem de 15 anos e dizer que ele pode fazer um vídeo é bastante redundante. E se um destes engaja um público, faz sucesso por aí, os profissionais tremem, também não sabem para onde vão. Produtoras vão fazer o quê? Televisão aberta? Fechada? DVD e BlueRay? Internet? Celular? Aplicativos? Elas acompanharam estas mudanças?</p>
<p><img class="alignright size-full wp-image-133" title="Produção Amadora" src="http://www.vitoralli.com.br/blog/wp-content/uploads/2012/01/va2.jpg" alt="Produção Amadora" width="154" height="332" />Devo deixar claro que não sou contra a ascenção do amador. A presença dele estreita a zona de conforto, balança a corda-bamba. Isso é ótimo. Acho fabuloso que quem desponte no meio da comunicação seja pessoas que nada estudaram de comunicação. Assim, notamos como não sabemos comunicar, como estamos (ou estávamos) alheios a novos formatos, novas formas de expressão, ou apenas já ultrapassados, atropelados pelos próprios discursos, pela falta de fundamentos. E é interessante pensar que nesse contexto conturbado de amor e consumo na pós-modernidade emerja este sujeito amador &#8211; que ama o que faz e, portanto, apenas faz.</p>
<p>Como bom pós-moderno, são impressões empíricas, embasadas apenas na minha jovem experiência. Não sei se nossa próxima conversa vai tanger algo parecido, mas seguem as angústias ao menos para serem compartilhadas. Desculpas pela bagunça de pensamentos, mas é apenas um texto informal escrito à meia-noite de um sábado de viagens e cansaço, mas inspirado.</p>
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		<title>Analógico ou Digital: Pelo Amor de GODard</title>
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		<pubDate>Sat, 07 Jan 2012 14:09:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vitor Alli</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Parece anacrônica a discussão sobre analógico ou digital, mas é incrível como ainda existe uma valorização demasiada da película no meio. Já é de praxe aparecer um grupo de esquisitos em festivais elocubrando ou reforçando, a todo momento, a importância que as redes sociais online e os sites de compartilhamento exercem hoje em dia. E gostam de ser específicos: falam especialmente sobre as mudanças trazidas para a prática audiovisual em escala global. Democratização do acesso, visibilidade e possibilidade de novos mapeamentos são algumas expressões que eles costumam utilizar. Quero dizer: nós costumamos usar.</p>
<p>É comum também encontrar os grupos de resistência, que acreditam na sala de cinema, na exibição em telas gigantes e que reforçam, também a todo momento, a aura mágica da película, que nela reside o verdadeiro cinema. Não existe certo ou errado neste contexto. Existem rumos, diretrizes audiovisuais. E para a pergunta “Película ou digital?” também existem caminhos diferenciados. É para responder estética ou politicamente? Não que um anule o outro. Uma opção estética geralmente é uma postura política. E tudo só faz sentido se procurarmos entender o que vem antes nesta escolha.</p>
<p>Aí que muita gente se perde. Ainda assim, creio que “estética ou política?” seja bem mais simples do que “o ovo ou a galinha?”. A postura estética, quando primeira, vem resolver a questão: que tipo de imagem é ideal para o que eu quero contar? Dependendo da resposta, película ou digital são opções de importância equivalente. O que pesa neste tipo de decisão geralmente são questões plásticas de profundidade de campo, textura da imagem, qualidade e comportamento da cor, objetivos de exibição etc. E se esses aspectos influenciam diretamente na percepção do espectador quanto à apreensão do filme, eles certamente estão a serviço de uma postura política.</p>
<p>Mas quando a política vem antes? Geralmente quando a postura é militante, quando se assume um posicionamento e integram-se pensamentos e ações. As tecnologias digitais possibilitaram a cópia barata (pejorativamente conhecida como pirataria), a inclusão do sujeito amador na realização de vídeos e a democratização do audiovisual em escala nunca antes vista. Tudo isso devido ao barateamento dos custos de produção, bem como o crescimento exponencial da proximidade técnica dos aparatos amadores com os profissionais. Esta revolução não se dá apenas na captação das imagens, mas também na exibição delas.</p>
<p>Militar em prol do digital é exigir que as novas possibilidades de uso dessas tecnologias não sejam barradas por modelos que já não cabem mais nos parâmetros atuais. O direito autoral, por exemplo, deve ser repensado. O uso constante e a devida apropriação destas tecnologias é capaz de instigar a evolução e ampliar os limites já impostos. Fora a cópia, a configuração da tão famosa Web 2.0 nos torna dependentes de práticas colaborativas online. Justamente a necessidade e o conhecimento coletivo impulsionam a existência, o crescimento e o acerto de novos formatos e interfaces digitais. E não falamos apenas em captação, mas de exibição também.</p>
<p>É claro que a sala escura tem seu valor: consiste em outro tipo de experiência – coletiva, imersiva, mais atenta. A película certamente tem sua representatividade estética. É indubitável a qualidade de um profissional que conhece bem as tecnologias analógicas e digitais. E não existe regra. O militante digital pode e deve conhecer a película – elas não concorrem entre si. São aparatos com histórias e objetivos diferentes. Sempre existirá espaço para os dois &#8211; para o hibridismo também! Mas, com isso, quero dizer que no ramo do audiovisual ainda existe a valoração da película pela dificuldade de domínio do processo. Eu parto para o lado oposto.</p>
<p>Proponho a valorização do digital justamente pela facilidade de domínio do processo, que reside primordialmente no acesso. A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) só foi capaz de fomentar a produção de conteúdos em audiovisual frente ao barateamento das câmeras, ilhas de edição e tecnologias digitais. Assim aconteceu o boom de escolas de audiovisual no país. Depender da “burocracia” analógica – que se prende aos altos custos de produção, à revelação, à montagem artesanal etc. – é fechar os olhos para um mercado que se expande vertiginosamente e também restringir a experiência audiovisual aos profissionais, ou futuros profissionais.</p>
<p>A inclusão do amador na cadeia produtiva é ponto fundamental para delinear a cultura contemporânea, essencialmente audiovisual, pois, além de incitar a experimentação, democratiza a comunicação, dá espaço para novos olhares e abre margem para outras interpretações sobre a própria mídia produtora; renova os ares.</p>
<p>O domínio das linguagens audiovisuais não chega perto de entrar nesta questão. O exercício da comunicação pelas imagens e pelo som, e toda sua  complexidade, permanece no mesmo patamar. Do lado de lá ou de cá, as perguntas são as mesmas: Como construir o melhor plano? Como comunicar através do corte? Onde colocar a câmera? Que trilha e/ou efeito sonoro condiz com a minha proposta? Qual o formato, o dispositivo, a melhor maneira de dizer o que quero dizer? Disso, digital ou analogicamente, amadora ou profissionalmente, ninguém está livre.</p>
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