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O que eu fiz com algumas das angústias

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Liberdade de TrabalhoEssas angústias todas vêm do meu desejo de não participar de um modelo de mercado falido, em que profissionais abrem mão de amores prórpios em nome de amores dos outros. Talvez seja mais uma visão pós-moderna minha. Acho agressivo comigo mesmo passar mais de 10h numa empresa, dedicar meu tempo, meu conhecimento, minha vida, por um preço injusto – que pouco tem a ver com dinheiro, mas com realização de desejos como colocar os próprios projetos em prática, viajar, ter o devido reconhecimento, ou conhecer o mundo, ainda que através de pessoas etc. Na comunicação está cada vez mais difícil amar o seu emprego.

 

E, como você sabe, eu busco soluções. Tentei estar junto à academia, tentei estar junto ao Estado, participando mais efetivamente das práticas do Ministério da Cultura, e nada disso me proveu de esperanças em um mundo melhor, pelo contrário. A academia não pratica, o Estado parece viver fora da realidade, a realidade necessita dessas outras duas forças para que haja mudanças… Às vezes me sinto um cavaleiro solitário. Luto pela cultura – pela produção e difusão de bens culturais. Para mim, a cultura é um braço da educação, a grande ferramenta contra o sofrimento descabido (e apenas o descabido, uma vez que o sofrimento faz duo com a felicidade).

TriânguloA questão é que parece que este cavaleiro tem que se desdobrar em 3 e lutar nas 3 frentes. Na academia, farei mestrado, doutorado, o que for. Mas já não acredito nas instituições que neguem o lado mercadológico da cultura. Não posso lutar discutindo apenas estética. Sinto que preciso entender os mecanismos de formação de um modelo de negócios. Entender o que exatamente as novas tecnologias demandam do mundo. O amor está aí sobrando, mas quem canaliza isso? Quem recebe este amor?

A publicidade e o entretenimento parecem fazer isso melhor do que o Estado e a Academia juntos, que só integraram o amor ao discurso de pouco tempo para cá. E isso é um grande paradoxo. Porque para o público (consumidores) e para anunciantes (marcas), a publicidade não faz isso direito. Então quem faz?

É por isso que abri minha própria empresa. Porque não acredito nas formas de luta da academia, nem do Estado, nem do mercado. E me desdobro nesse triângulo, porque é evidente para mim que um depende do outro o tempo inteiro. Tombando para o que tem me interessado pensar, volto à questão das 18 telas do post anterior. Quem pensa nesses conteúdos? Estariam as marcas e o público contentes com o que está sendo veiculado?

SolitárioA publicidade já encontrou o caminho do entretenimento, do branded content, da publicidade velada, da oferta de entretenimento em prol de um valor a agregar à marca anunciada, e apontam que este é o futuro. E cadê? Existem peças incríveis, mas o que estamos fazendo com isso? Será que minha luta em prol da cultura não passa pelo jogo da publicidade, de me tornar um empreendedor da comunicação? Como utilizar o discurso publicitário, o discurso acadêmico, o discurso do público/comum, para realmente produzir algo lucrativo, educativo, funcional, democrático, positivo? Como canalizar o amor para o lado mais justo?

E em que ponto a verdade e os fundamentos ajudam neste sentido? É a falta deles que faz com que não saibamos o que fazer neste momento, para onde ir, no que acreditar?