Cinderalla

Já falei aqui sobre trash e já postei, inclusive,  um mash-up com a Valesca Popozuda. Pois bem: hoje vou tomar poucas linhas para comentar um livro, também trash, que passou pelas minhas mãos: Cinderalla.

Minha amiga, atriz, Martina Blink, me emprestou o livro e foi até convidativa em sua descrição: “É um livro japonês meio esquisito que tem que ler de trás para frente. É uma versão erótica-zumbi da Cinderella, em quadrinhos. É muito louco, você vai gostar.” E apesar de convidativa, eu demorei 6 meses para folhear a obra.

A surpresa foi positiva. Apesar de bastante feminino, este é um mangá sombrio-trash-erótico, de Junko Mizuno, em que uma Cinderella zumbi (até o sol raiar), ao invés de perder o sapato, perde um dos olhos. Assim, começa a busca pela amada do Príncipe, um cantor brega. Cinderalla é um bom presente para meninas pré-adolescentes – especialmente se elas tiverem algum interesse em cultura nipônica, que não é o meu caso.

O que mais gostei, para além das ilustrações, foi a falta de complexidade da história, que é muito difícil de se ver em mangás – especialmente de terror. Apesar de muito louca, a narrativa trabalha com clichês e vai passando direto por explicações substanciais, descrições ou alguma busca sentimental profunda. Não é incrível ou brilhante, mas é gostoso e em meia hora o livro está terminado, sem grande esforço e deixando a vontade de ler mais.

Soou como um mash-up de histórias, contos e culturas. Valeu a leitura e valeu, mais uma vez, ampliar as dimensões do inesperado que só o trash pode proporcionar. Não recomendo a compra do livro, mas recomendo sua leitura. Se você encontrar em feiras, sebos, ou se alguém te emprestar, vá fundo. Se houver como ler na própria livraria, rapidamente ele estará devidamente lido. Uma leitura despretensiosa e divertida. O trunfo de Cinderalla é utilizar o que seriam seus pontos negativos como grandes diferenciais – como falas reduntantes ou pouco críveis.